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ENTREVISTA

   :: Entrevista :: 29/01/2004
Com: Paulo Gomes (Analista de Mercado da Global Invest)

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à Ouvir a entrevista em áudio (clique aqui)

        Abaixo, você confere a entrevista do Portal Economia sobre esta quinta-feira (29/01/2004) de tensão no mercado financeiro brasileiro.

      Paulo Gomes destacou que os juros não devem cair na próxima reunião do COPOM (Fevereiro) devido à preocupação do BC com a inflação e que o motivo desta tensão no mercado nesta quinta-feira foi a ata da reunião do COPOM da semana passada e também o documento divulgado pelo FED ontem, afirmando que os juros não devem permanecer neste patamar de 1% por muito tempo - como era antes esperado.

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Maurício Martins (Portal Economia) – Hoje o dia foi bem agitado: Bovespa fechando em queda de 6,14% aos 22.386 pontos, dólar em alta de 1,2% cotado a R$2,93 para a venda e o Risco-Brasil ficando acima dos 500 pontos. Como você recebeu este cenário do mercado financeiro nesta quinta-feira?

Paulo Gomes (Global Invest) – Realmente o que aconteceu foram dois movimentos muito fortes: a divulgação da ata do COPOM e a decisão do FED na última quarta-feira de suprimir uma frase sempre exibida em seus comunicados sobre decisão das taxas de juros: que os juros continuariam neste mesmo patamar por um tempo maior.

Maurício Martins (Portal Economia) –  No final da tarde desta quinta-feira, a FGV divulgou o IGP-M de Janeiro que ficou em 0,88%, acima do esperado pelo mercado. Este índice também teve impacto no mercado?

Paulo Gomes (Global Invest) – Sim, porém olhando o início do ano passado tínhamos inflação na casa de 1%, mais alta que este índice divulgado hoje e ainda assim na época o BC mantinha uma trajetória de queda de juros. A preocupação que havia não é a mesma do BC hoje. Temos uma inflação menor agora, sendo já esperado um índice maior em janeiro porém um pouco abaixo do que foi divulgado hoje. Entretanto, existe um consenso no mercado – exceto do BC – que as taxas de inflação devem recuar até março, e isso não havia no mesmo período do ano passado. Então, no meu entender – e também creio que na visão do mercado – haveria um espaço para redução da taxa de juros. Mas não é desta forma que o BC está pensando no momento, mostrando-se excessivamente preocupado com a inflação.

Maurício Martins (Portal Economia) – A semana começou com a Bovespa registrando um recorde em pontos, de 24.349 pontos na segunda-feira. E está terminando a semana com índices bem inferiores a este. O que você espera em relação a Bovespa daqui para frente?

Paulo Gomes (Global Invest) –  Eu acho que no curto prazo – nos próximos 7 dias – o leitor/usuário do Portal Economia deve ter paciência e evitar realizar grandes mudanças na sua carteira. O cenário é a chamada ‘briga de cachorro grande’. Teremos alta volatilidade: ações subindo, ações caindo – hoje por exemplo houve queda de 6,3% na Bovespa, e amanhã é possível que as ações continuem caindo ou que subam bastante. Isto porque neste cenário – que eu chamo de cenário de transição – é uma hora de indefinição devido aos dois fatos novos de ontem e, por isso, o mercado ainda está se ajustando/procurando um novo equilíbrio – que eu creio que deve ocorrer no prazo de cerca de 5 dias úteis. Em termos de tendência, continuo com minha expectativa de dezembro passado de que o IBOVESPA encerre o ano de 2004 aos 24.500 pontos, pois temos que lembrar que o ano passado foi muito bom para a Bovespa e este resultado não deve se repetir neste ano.

Maurício Martins (Portal Economia) –  Nós recebemos aqui no Portal Economia alguns e-mails de usuários perguntando se este é o momento certo para entrar no mercado investindo em um fundo de ações. Não será o momento atual de aguardar?

Paulo Gomes (Global Invest) –  Concordo plenamente. Eu acho que nesse momento, depois de uma alta expressiva da Bovespa no ano passado e no início deste ano – apesar da queda de hoje – deve-se colocar na Bolsa de Valores somente o dinheiro que você não irá precisar pelos próximos 12 meses e um dinheiro que você pode agüentar ‘com sangue frio’. Agora, se você espera rentabilidade de curto prazo, acho que a melhor opção são os fundos DI e de Renda Fixa. Acho que a Bolsa é um investimento indicado para que é profissional e para quem pode ficar 24hs no Portal Economia, verificando a situação do mercado. Porém, recomendo muita cautela para quem quer investir em bolsa e não pode ficar consultando diariamente a situação do mercado.

Maurício Martins (Portal Economia) – Como você espera que seja a próxima reunião do COPOM (em fevereiro)? O BC deve manter a SELIC no atual nível ou ceder às pressões do mercado?

Paulo Gomes (Global Invest) –  Estamos com uma expectativa de que na próxima reunião do COPOM a taxa de juros seja mantida em 16,5% ao ano. Até ontem esperávamos uma queda – mesmo que tímida – na SELIC. Porém, com esta excessiva preocupação com a inflação – para você ter uma idéia, a palavra inflação foi mencionada cerca de 58 vezes pelo BC [na ata da última reunião] – e por isso acreditamos que somente em março haverá redução.

Maurício Martins (Portal Economia) – O dólar agora retornou à casa de R$2,90. Como você recebeu isso?

Paulo Gomes (Global Invest) –  Eu acho que isto tem uma lado bom: para as exportações. Eu acho que o cenário de não terem havido hoje captações, por exemplo, diminui a liquidez no mercado. Se é que havia alguma expectativa de captações lá fora de companhias brasileiras provavelmente os bancos falaram ‘vamos puxar o freio e semana que vem voltamos a conversar’ , pois com este cenário fica difícil identificar o preço. E isto deve continuar pressionando um pouco o dólar. Se por um lado favorece exportações, por outro existe um risco de uma saída de recursos e por isso as reservas podem flutuar um pouco para baixo.

Maurício Martins (Portal Economia) –  Como você recebeu a decisão do BC no início do ano de fazer intervenções no mercado de câmbio para recompor reservas, apesar de estarmos num regime de câmbio flutuante?

Paulo Gomes (Global Invest) – Eu acho que este é um dos pontos que acho extremamente positivo no BC. Apesar de ser câmbio livre, temos no mundo inteiro – Japão, Europa, EUA por exemplo – a atuação da autoridade monetária no cambio. Acho que aqui não pode ser diferente, não podemos ser inocentes e achar que o BC não deve evitar volatilidade. Então, acho um ponto positivo.

 

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